JAMES FERRARO

Artista crucial da viragem deste século no Ocidente, e permanentemente sub-analisado no seu tempo presente, James Ferraro, talvez a figura mais influente nesta nossa cultura “musical” na última década e picos – yikes! -, acaba de lançar o seu disco mais revelador e visionário. ‘Requiem for Recycled Earth’ é o que, oxalá, seja a primeira de quatro obras sobre o declínio mais que real dos nossos tempos. Toda a opacidade emocional, ética; existência simulacrada, falsidade, funcionalidade operática que se torna natural aos olhos de uma crítica programaticamente asséptica. Em tuga tuga, esta treta toda é-nos revelada na sua bruteza cruel tal como ela é.

Há aqui detalhes e caprichos da música do barroco até aos dias de hoje, passando por *todas* as fases, até chegarmos ao hiper-pseudo-ascético da contemporaneidade, sob todos os paradigmas. Traduzindo novamente, este gajo – que está na nossa lista de gente a trazer todos os anos -, e que já teve todas as premiações que um artista pode ter em seu tempo de vida vivida, é capaz de ter feito o seu trabalho mais importante até nova ordem. Timing! Para lá do som e da tecnologia, o man detectou os factos.

 

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