OUT.FEST

“O mais importante festival de música exploratória e experimental do País”
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OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro
OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro13 hours ago
𝗧𝗵𝗲𝘀𝗲 𝗔𝗯𝗶𝗹𝗶𝘁𝗶𝗲𝘀: 𝗣𝗲𝗿𝘀𝗽𝗲𝗰𝘁𝗶𝘃𝗲𝘀 𝗼𝗻 𝗠𝘂𝘀𝗶𝗰 & 𝗗𝗶𝘀𝗮𝗯𝗶𝗹𝗶𝘁𝘆 | OUT.FEST 2026

Desde 2016 que desenvolvemos trabalho de criação musical com grupos de pessoas com deficiências diversas, em particular em colaboração com a Associação Nós e tendo como expressão mais visível a extraordinária big band que são Os Heróis Indianos Romanos Africanos. Ao longo desse percurso, estas experiências foram revelando questões que iam muito para além da inclusão ou da acessibilidade. Eram, antes de mais, questões sobre a própria música.

O que acontece quando diferentes capacidades, formas de percepção e modos de comunicação passam a fazer parte do processo criativo? Que ideias de improvisação, composição, virtuosismo, autoria ou escuta ficam então por reinventar? E como escapar à condescendência ou à tentação de olhar para estas práticas apenas pelo seu valor social, esquecendo que são também lugares de experimentação estética e de transformação do próprio entendimento do quê e do como da música?

Enquanto parceiros do projeto europeu tekhnē, dedicado a explorar o potencial emancipatório das tecnologias na música, procurámos alargar esta reflexão para lá da nossa própria prática. Depois da publicação, no final de 2025, do número “These Abilities” do tekhnē online journal, esta conferência reúne artistas, programadores e dinamizadores para partilhar experiências, apresentar estudos de caso e cruzar diferentes perspetivas sobre música e deficiência. Não nos interessam as respostas fechadas, mas sim criar um espaço de escuta onde a deficiência não surge como uma exceção a integrar, mas como uma condição capaz de transformar a forma como pensamos a improvisação, a criação coletiva e, em última análise, a própria ideia de música.

[No âmbito do projecto tekhnē, co-financiado pela União Europeia]

▚ •

Since 2016, we have been developing music-making projects with groups of people with diverse disabilities, particularly in collaboration with Associação Nós, with the remarkable quasi-big band Os Heróis Indianos Romanos Africanos standing as the most visible expression of this work. Along the way, these experiences began to reveal questions that reached far beyond inclusion or accessibility. They were, above all, questions about music itself.

What happens when different abilities, forms of perception and modes of communication become part of the creative process? Which ideas of improvisation, composition, virtuosity, authorship or listening are left to be reimagined? And how can we move beyond condescension, or the temptation to value these practices solely for their social impact, forgetting that they are also sites of aesthetic experimentation, capable of transforming our very understanding of music's “what” and “how”?

As partners in the European project tekhnē, dedicated to exploring the emancipatory potential of technology in music, we have sought to extend this reflection beyond our own practice. Following the publication, at the end of 2025, of “These Abilities”, an issue of the tekhnē online journal, this conference brings together artists, programmers and facilitators to share experiences, present case studies and bring different perspectives on music and disability into dialogue. Rather than seeking definitive answers, we want to create a space for listening, where disability is understood not as an exception to be accommodated, but as a condition capable of transforming the way we think about improvisation, collective creation and, ultimately, the very idea of music.

[Presented within the scope of the tekhnē project, co-funded by the European Union]

📷 Ligados Às Máquinas - Vera Marmelo, Grupo Operário do Ruído - Renato Cruz Santos
OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro
OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro1 day ago
𝗦𝘂𝘀𝗮𝗻𝗮 𝗦𝗮𝗻𝘁𝗼𝘀 𝗦𝗶𝗹𝘃𝗮 & 𝗢𝗿𝗲𝗻 𝗔𝗺𝗯𝗮𝗿𝗰𝗵𝗶 | OUT.FEST 2026

De regresso ao OUT.FEST após passagem solitária em 2013 e como parte de Ghosted em 2024, o polímata australiano Oren Ambarchi junta-se aqui à trompetista Susana Santos Silva para um encontro inédito. Artista amplamente reconhecido pelo seu longo e incansável trabalho em diversas frentes - da música eterna aos limites do rock, da electrónica a formas desviadas de jazz, da composição moderna ao ruído - Ambarchi tem deixado um rasto precioso, tanto a solo, como em diversas colaborações, tomando a guitarra como meio primordial para uma exploração contínua em torno das potencialidades do instrumento e dos próprios arquétipos de género ao redor dos quais opera, sempre com uma segurança e visão plenas. Igualmente traquejada e guiada por sentido de descoberta constante, Susana Santos Silva é, assumidamente, uma das presenças mais valorosas no seio do jazz e da improvisação europeia, recolhendo para o trompete uma série de influências transdisciplinares, que o levam a paragens até então inauditas, com tanto de lírico como de insondável na sua procura, comum à de Oren, de uma certa transcendência estática.

▙ •

Returning to the festival after a solo appearance in 2013 and as part of Ghosted in 2024, the Australian polymath Oren Ambarchi joins trumpeter Susana Santos Silva for a first-time collaboration. Widely acclaimed for a decades-long practice that has traversed eternal music, the outer reaches of rock, electronics, oblique forms of jazz, contemporary composition and noise, Ambarchi has built an extraordinary body of work, both as a solo artist and through countless collaborations. Taking the guitar as his principal means of exploration, he has continually reimagined both the instrument’s possibilities and the musical archetypes that surround it, always with singular confidence and vision.
Equally seasoned and driven by a relentless spirit of discovery, Susana Santos Silva is, without question, one of the most vital figures in contemporary European jazz and free improvisation. Drawing on a wealth of transdisciplinary influences, she has expanded the expressive possibilities of the trumpet into previously unheard territories, balancing lyricism with the unfathomable in a search for a kind of static transcendence that finds a natural counterpart in Ambarchi’s own work.

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📷 SSS - Aloísio Brito, OA - Pieter Kers
OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro
OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro3 days ago
𝗣𝗮𝗶𝘅𝗮̃𝗼 | OUT.FEST 2026

Originalmente de Beja, mas adotado pelo Barreiro, Paixão é co-fundador das noites Another Place e anfitrião de ‘Psicosférico’, programa mensal na East Side Radio. Guia-se, habitualmente, pelo psicadelismo para desenhar o seu percurso como digger e DJ, e nesta noite de convivium em dia inaugural do OUT.FEST dispensa o pulso constante da pista de dança para se deixar levar por outras explorações: introspectivas, de movimento sem pressa, deixando o dub dissolver-se em atmosfera.

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Originally from Beja but long since adopted by Barreiro, Paixão is a co-founder of the Another Place nights and the host of ‘Psicosférico’, a monthly programme on East Side Radio. Psychedelia usually serves as the compass for his work as both digger and DJ, but for this inaugural OUT.FEST convivium he sets aside the steady pulse of the dancefloor in favour of more introspective explorations, where movement unfolds without urgency and dub gradually dissolves into atmosphere.

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📷 Nate Helmerick
OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro
OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro3 days ago
𝗫𝗮𝘃𝗶𝗲𝗿 𝗣𝗮𝗲𝘀 & 𝗜𝗻𝗲̂𝘀 𝗧𝗮𝗿𝘁𝗮𝗿𝘂𝗴𝗮 𝗔́𝗴𝘂𝗮 “𝗕𝗲𝗿𝗿𝗮𝗻𝘁𝗲”, "𝗣𝗮𝘀𝘀𝗮𝗴𝗲 𝘁𝗼 𝗖𝗿𝘆𝘀𝘁𝗮𝗹𝗹𝗶𝘇𝗮𝘁𝗶𝗼𝗻", "𝗩𝗮𝗿𝗶𝗮𝗰̧𝗼̃𝗲𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗽𝗶𝗼̃𝗲𝘀 𝗻º 𝟭”, “𝗣𝘂𝗿𝗼 𝗦𝗽𝗶𝗿𝗶𝘁𝗼” | OUT.FEST 2026

Em crescente atividade nos interstícios do som e da performance ao longo dos últimos anos, Xavier Paes e Inês Tartaruga Água têm vindo a construir um corpo de trabalho profundamente singular, onde experimentação, investigação e minúcia se revelam no espaço e no tempo através de uma atenção contínua à corporeidade do som-enquanto-vibração. Assumindo-se como "respigadores ávidos", criam peças onde materiais muitas vezes resgatados aos detritos do quotidiano, em diálogo com o espaço envolvente, se manifestam através do gesto como uma ou várias fontes sonoras. Nesta edição do OUT.FEST, a dupla assume um inédito protagonismo diário: a cada dia, uma nova peça apresentada.

“Berrante” é uma coreografia aural que explora a ressonância dos espaços através do movimento de postes de madeira em fricção com o solo. Um drone magmático, permanentemente moldado pelas subtis variações do timbre.

“Passage to Crystallization” recorre a microfones de contacto e pedais de efeitos para amplificar o gesto frenético e repetitivo da incisão e da escrita sobre papel, erguendo uma parede sonora abrasiva que se torna simultaneamente notação e réplica de si própria.

“Variações para Piões Nº 1” parte do jogo tradicional, e cada vez mais raro, do pião para transformar esse objeto num instrumento sonoro, revelando, através do seu movimento, diferentes tonalidades que tanto se sobrepõem como se deixam cair no silêncio.

“Puro Spirito” procura um equilíbrio contínuo entre som, dança e ar através do manuseamento intenso e ritmado de garrafas de diferentes timbres, fazendo do espaço etéreo entre dois corpos uma extensão da própria peça.

[No âmbito do projecto tekhnē, co-financiado pela União Europeia]

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Increasingly active in the interstices between sound and performance over recent years, Xavier Paes and Inês Tartaruga Água have been building a deeply singular body of work, in which experimentation, research and meticulous attention unfold across space and time through a sustained engagement with the corporeality of sound-as-vibration. Describing themselves as "avid gleaners", they create works in which materials, often salvaged from the detritus of everyday life and placed in dialogue with their surroundings, are activated through gesture as one or several sound sources. At this edition of OUT.FEST, the duo takes on an unprecedented daily presence: each day brings the presentation of a different work.

‘Berrante’ is an aural choreography that explores the resonance of space through the movement of wooden poles dragged across the ground. A magmatic drone, continually shaped by subtle shifts in timbre.

‘Passage to Crystallization’ employs contact microphones and effects pedals to amplify the frenetic, repetitive gestures of incision and writing on paper, raising an abrasive wall of sound that becomes both notation and a replica of itself.

‘Variations for Spinning Tops No. 1’ draws on the increasingly rare traditional game of the spinning top, transforming the object into a musical instrument and revealing, through its movement, different tonalities that alternately overlap and dissolve into silence.

‘Puro Spirito’ seeks a continuous balance between sound, dance and air through the intense, rhythmic handling of bottles with different resonances, turning the ethereal space between two bodies into an extension of the work itself.

[Within the scope of the tekhnē project, co-funded by the European Union]

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📷 1- Pedro Figueiredo, 2 & 4- Vera Marmelo, 3- Odair Monteiro
OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro
OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro5 days ago
𝗝𝗼𝘀𝗲𝘆 𝗥𝗲𝗯𝗲𝗹𝗹𝗲 | OUT.FEST 2026

Numa demanda cada vez mais rara para a hiperactividade dos dias de hoje, Josey Rebelle assume-se "apenas" como DJ e faz disso um ofício precioso, na senda espiritual histórica de um Ron Hardy, a quebrar barreiras estilísticas, geográficas e temporais. Originária de Londres, cresceu sob o feitiço e ecletismo das rádios piratas que davam vida a essa cidade, e suas conexões transatlânticas etéreas entre o techno de Detroit e a Warp inicial, a house de Chicago e o jungle e inúmeros pontos cardeais possíveis e imaginários. Destemida e consciente, foi considerada pela Resident Advisor uma "das melhores DJs da sua geração" e tem amealhado consenso em torno dessa mesma ideia. Quem somos nós para discordar?

▙ •

In a commitment increasingly rare in today’s culture of hyperactivity, Josey Rebelle defines herself “simply” as a DJ – and makes of it a precious craft, in the lineage of a figure like Ron Hardy, breaking through stylistic, geographic, and temporal boundaries.
Originally from London, she grew up under the spell and eclecticism of the pirate radio stations that gave the city its pulse, along with their ethereal transatlantic connections between Detroit techno and early Warp, Chicago house and jungle, and countless other real and imagined coordinates. Fearless and assured, she has been named by Resident Advisor as “one of the best DJs of her generation,” a view that has steadily gathered consensus. Who are we to disagree?

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📷 Rob Jones
OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro
OUT.FEST - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro6 days ago
𝗣𝗵𝗶𝗹𝗹 𝗡𝗶𝗯𝗹𝗼𝗰𝗸 “𝗧𝗵𝗲 𝗠𝗼𝘃𝗲𝗺𝗲𝗻𝘁 𝗼𝗳 𝗣𝗲𝗼𝗽𝗹𝗲 𝗪𝗼𝗿𝗸𝗶𝗻𝗴” | OUT.FEST 2026

Figura central da música experimental ao longo de mais de cinco décadas, Phill Niblock desenvolveu uma obra em que o som sustentado, a duração e as transformações mínimas convidam a formas radicalmente diferentes de escuta. Em paralelo com a sua música, criou “The Movement of People Working”, um vasto ciclo de filmes silenciosos que observa o trabalho manual em diferentes geografias do mundo não enquanto documentário, mas enquanto movimento: uma coreografia de gestos, ritmos e tempo.

Apresentada ao longo dos quatro dias do OUT.FEST, esta instalação reúne cinco filmes da série, captados em Portugal, no Ártico, no Brasil, no Lesoto e no Peru e México, juntamente com uma seleção de composições de Niblock abrangendo várias décadas. Em linha com a prática expositiva do compositor, imagem e som são apresentados de forma independente, cada um a partir da sua própria fonte, nunca sincronizados nem emparelhados da mesma forma duas vezes. Cada encontro produz novas ressonâncias, correspondências inesperadas e alinhamentos fugazes, enquanto a reorganização diária de ambos os programas garante que nunca duas visitas serão exatamente iguais. É um convite a experienciar a obra de Niblock tal como o próprio tantas vezes a concebeu: através do tempo, do acaso e da escuta prolongada.

▛ •

A central figure in experimental music for more than five decades, Phill Niblock developed a body of work in which sustained sound, duration and minute transformations invite radically different ways of listening. Alongside his music, he created “The Movement of People Working”, a vast silent film cycle observing manual labour around the world not as documentary, but as movement: a choreography of gestures, rhythms and time.

Presented throughout the four days of OUT.FEST, this installation brings together five films from the series, shot in Portugal, the Arctic, Brazil, Lesotho and Peru/Mexico, alongside a selection of Niblock’s compositions spanning several decades. In keeping with the composer's own exhibition practice, image and sound are played independently, each from its own source, never synchronised and never paired in the same way twice. Each encounter produces new resonances, unexpected correspondences and fleeting alignments, while the daily reordering of both programmes ensures that no two visits are ever quite the same, inviting audiences to experience Niblock's work as he so often conceived it: through time, chance and sustained listening.

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📷 JJ Murphy

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